terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Johnny.

Ele era assim, chegava de repente, como quem não quer nada e encantava com seu jeito especial. Dizia verdades como quem conta histórias, mas de uma forma tão suave que você não era capaz de se ofender. Ele gostava de ser caloroso, te abraçava, sussurrava em seu ouvido músicas calmas com sua voz rouca. Tinha aquele brilho nos olhos que lembravam as águas claras do mar. Com o sorriso de criança inocente, ria das coisas mundanas. Ele só queria aproveitar a vida, sem pensar nas consequências, sem complicar seus atos.
Ele era assim, sem nada a esconder, fazendo o que queria. Um amante indomável, tratava cada uma como uma dama única. Era de todas e de ninguém. Como o vento ele não podia ser contido e assim sem motivo ia embora, deixando em seu rastro a saudade. Era um aventureiro, um viajante sem lar. Em suas veias corria a liberdade e junto com ela a vontade de aproveitar sua estada na terra. Assim era Johnny, uma brisa momentânea, que trazia aquele agito suave e deixava o frescor.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Nossa amizade.

Tenho saudade do tempo em que passávamos as tardes juntas, rindo e comentando sobre garotos, tentando achar um modo para entendê-los. As vezes em que pulava o portão da sua casa, só pra ficarmos juntas. De quando íamos a igreja de noite e não conseguíamos parar de rir dos comentários que inventávamos pra passar as horas. De como sentávamos na praça de alimentação do shopping pra falar sobre as roupas das garotas e de quão bonitos os garotos eram. Das horas que passávamos no telefone escondidas de nossos pais. As milhares de folhas de caderno que gastávamos fazendo cartas uma para a outra sendo que nos víamos todos os dias. Madrugadas que passávamos acordadas em frente ao computador escutando música e rezando para que seu pai não descobrisse que estávamos acordadas. Das receitas de comida que resolvíamos criar. As bolas que perdemos brincando no quintal. Nosso apelido. A forma como você pedia as coisas e eu mesmo não querendo, fazia. Aventuras que permanecem em segredo e quando lembramos só sobram risadas. O ciúmes que sentíamos uma da outra com amigas novas. As várias paixões que já vivemos, mais você do que eu. As fofocas maldosas. A forma como nos entendíamos apenas com um olhar.
Os anos se passaram e eu não entendi porque nos afastamos assim tão de repente, passamos a fazer parte de um mundo fora da vida uma da outra, não somos mais confidentes, seguimos caminhos diferentes.
Eu sinto falta disso. Saudade da época em que éramos apenas crianças que sonhavam com uma adolescência melhor. Eu ainda quero viver muitos sorrisos com você, quero ter muitas outras situações de medo ao seu lado que depois vão render em risadas. Porque eu sei que ainda existe muita história para ser escrita na nossa amizade, ainda há muitas coisas para aprender uma com a outra.

Não importa a distancia, eu sempre vou te amar. 


Dedico esse texto a Laila, ou melhor, a Mona.